sábado, 21 de maio de 2011

Napoli

Chegando à Nápoles com um pé atrás, descobri que ela é um pouco parecida com Porto Alegre. Aqui as pessoas também não valorizam seus monumentos ou as estruturas que são erguidas para seu próprio benefício e fazem pichações e depredam, mas isto também acontece onde eu moro. E, quanto a ser perigosa, creio que, como em Porto Alegre, algumas regiões são realmente perigosas, mas há outras por onde se pode andar tranquilamente. Se alguém se hospedasse nas imediações da rodoviária ou no centro eu também alertaria para os perigos de transitar à noite, como me avisaram aqui. Então, basta estar atenta e andar com cuidado, procurando não chamar a atenção tirando fotos de tudo ou andando com um mapa na mão. Quando o trem vai chegando à Nápoles já podemos ver os prédios com as sacadas cheias de varais, mas há um contraste com um grupo de edifícios de construção bem moderna que chega a ter prédios com mais de 20 andares. Deve ser alguma zona de prédios de escritórios. Saindo da estação já se avista o hotel onde me hospedei, pois fica à apenas 50 metros da estação. É uma barbada para quem quer se deslocar de trem e conhecer cidades vizinhas. Em volta da Piazza Garibaldi tem muitas lojas e restaurantes, é uma área bem servida de comércio, e é claro, vários africanos vendendo bolsas Gucci, Prada, YSL e outras marcas famosas, expostas no chão. Ontem deixei as malas no hotel e saí para conhecer o Castelo Sant´Elmo. Foi meio confuso chegar lá, pois tem-se que pegar um metrô e depois um funicular, que eu nem sabia o que era. Ainda bem, que encontrei um senhor gentil que me levou da estação do metrô em Montesanto até o funicular que é pertinho, mas como eu não sabia do que se tratava, nem sabia o que estava procurando. As pessoas aqui são bem fechadas, mas tenho sido auxiliada sempre que necessito, com cara feia ou não. Parece que eles estão sempre azedos, mal humorados. A visitação ao Castelo foi um pouco decepcionante, pois consiste em dar uma volta caminhando pela muralha e apreciar a vista de 360 graus da cidade. Pena que estava um dia meio nublado, pois se tivesse sol, teria feito fotos bem bonitas. Quando saí do Castelo pensei em caminhar pelo bairro antes de voltar para o hotel e acabei andando por uma rua bem bonita e movimentada, com muitas lojas e até algumas de marcas. Via Alessandro Scarlatti, é uma rua que tem uma escadaria imensa que vai descendo por vários quarteirões. Daí, entendi porque se pega o funicular, é que ele leva da cidade baixa para a cidade alta. É um veículo que trafega em diagonal, como se fosse um elevador gigante. É engraçado, mas muito parecido com um bondinho que faz o mesmo em Lisboa. A caminhada me rendeu umas belas compras e retornei para o hotel bem satisfeita, com a parte que eu conheci. A recepcionista me indicou uma rua para ir jantar, já que eu havia pedido uma indicação de pizzaria, pois queria provar a legítima Napolitana. Mas, me alertou para voltar cedo, pois é “periculoso”. No caminho eu encontrei uma rua com inúmeras lojas, parece uma mistura da Florida, em Buenos Aires com a Voluntários da Pátria, tem de tudo. Mas, como eu estava com receio de estar anoitecendo, voltei sem paradinhas. Ah, na cidade alta, até encontrei um Carrefour para comprar uma bolachinha. Aliás, qualquer bolachinha que se compre na Itália é “veramente” boa. São umas delícias. Já a pizzaria, ficou a desejar, até porque nem tinha pizza Napolitana no cardápio, fui de Margherita, mesmo. Quando eu estava tentando encontrar a Via Tribunalle, das pizzarias, perguntei a uma “ragazza” que foi conversando comigo e me levou até o lugar onde ela julga ser bom e barato. Barato foi mesmo, uma pizza inteira por 4 euros, é uma barbada! Quando cheguei ao hotel o gerente veio falar comido e me ofereceu um cartão para um drink grátis no bar e desconto quando eu retornar à Nápoles. Mas, já se empolgou e começou a contar que esteve no Brasil há dez anos atrás, e conhece Fortaleza. Conversa vai, conversa vem, ele me convidou para dar “um giro” pela cidade. Esses italianos não perdem tempo, e o pior é que são persistentes. Fiquei na maior saia justa. Como não tem wi-fi no quarto, eu uso uma sala perto do bar e cada vez que ele me enxerga, pergunta se não vou tomar um drink. Hoje eu fui conhecer Paestum, uma cidade que tem um sítio arqueológico do ano 600 a.C. Tem várias ruínas de uma antiga cidade e três templos bem preservados. Foi maravilhoso chegar tão perto de uma construção daquele tamanho. Não consigo imaginar como eles faziam aquilo numa época que não existiam máquinas como guindastes, por exemplo. Os templos são lindos e imponentes e ainda tem um museu com vários achados nas escavações que foram feitas. Outra coisa que me impressionou são algumas salas em que ainda se pode ver os pisos todos desenhados como se fossem mosaicos, assim tipo pedrinhas coladas formando padrões de desenhos. O maior cuidado. Deve ter sido uma cidade muito importante. Para chegar à Paestum tem que pegar um trem até Salerno e depois pegar o Pullman (que é um ônibus) até Agrópoli. A parada é na frente de um bar onde tem o quadro de horários para retornar. Estou relatando porque foi bem difícil eu descobrir tudo isso, pois aqui as pessoas não gostam muito de dar informações, e parece que tu estás sempre sendo inconveniente. Saí de Nápoles no trem das 8:58h que diz Taranto, e não Nápoles (por aí, já dá pra ver como é), depois em Salerno (que é uma cidade à beira mar, bem bonitinha) eu sofri para descobrir o que era o tal do Pullman que me mandavam pegar. Mas é só sair da estação e andar pela rua bem em frente uns 300 metros e se chega à beira mar, um pouquinho à direita já se enxerga as paradas de ônibus (Piazza della Concórdia). Antes de atravessar, compre o bilhete numa tabacaria, um pouquinho mais à frente. O Pullman passa às 10:30h (nº 34) e eu cheguei em Paestum às 11:40h porque tinha muito trânsito. O motorista do ônibus era até bem bonitinho, todo charmosinho com gelzinho no cabelo, mas com uma cara de azedo, que só vendo. Ele xingava o pessoal no trânsito o tempo todo, gesticulando e resmungando. Depois que ele foi super grosseiro com uma mulher que fez sinal para o ônibus parar quando ele já estava passando da parada, acho que ele ficou meio envergonhado e começou a ser mais gentil, e até conversou um pouco comigo, dizendo que eu havia escolhido um péssimo dia para fazer aquele passeio, pois o trânsito ia atrasar muito nossa chegada lá. Eu quase desisti, pois achei que ia chegar e ainda ter que me deslocar muito até o tal sítio arqueológico, mas não, é logo depois do tal bar que tem a parada. Dá para ir a pé. Para voltar, peguei o primeiro ônibus que passou, mas era um pinga-pinga e levou 50 minutos até Salerno. Esperei mais 40 minutos para pegar o trem para Nápoles e cheguei ao hotel às 17 horas. Bem, fora os transtornos, deu tudo certo. Paestum foi visitada e me senti como se estivesse na Grécia. Valeu!
Para ir de metrô da estação até o Castelo Sant´Elmo, pegar o metrô até a estação Montesanto, comprar o bilhete numa tabacaria antes de descer as escadas rolantes, são apenas duas estações. Descer e sair caminhando uns 50 metros até um prédio que fica á esquerda e pegar o funicular, usando o mesmo bilhete, e descer no final da linha que também são duas estações. Se tiver um tempinho, antes de pegar o funicular de volta, ande um pouco pela rua das escadarias, que fica em frente à estação do funicular. Ela é cheia de árvores, bem bonita.
Baci!






















































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